Pequenas atitudes, grandes benefícios: o que as novas diretrizes nos ensinam sobre viver mais e melhor.
*Dra. Marines Bertolo Peres
Você já parou para pensar que muitas das escolhas que fazemos ao longo do dia podem influenciar diretamente a saúde do nosso coração? O que colocamos no prato, o quanto nos movimentamos, a qualidade do nosso sono e até a maneira como lidamos com o estresse podem fazer uma grande diferença ao longo dos anos.
O coração trabalha por nós a cada instante, muitas vezes sem receber a atenção que merece. E o mais interessante é que não precisamos esperar o aparecimento de uma doença para começar a cuidar dele.
As doenças cardiovasculares, como o infarto e o AVC (derrame), continuam entre as principais causas de morte no Brasil e no mundo. Mas existe uma boa notícia: muitas dessas complicações podem ser prevenidas ou adiadas com mudanças simples e consistentes no estilo de vida.
As diretrizes brasileiras publicadas em 2025 sobre colesterol, hipertensão arterial e obesidade reforçam justamente essa mensagem: cuidar do coração vai muito além de controlar exames ou tomar medicamentos. É construir, todos os dias, hábitos que favoreçam uma vida mais longa, saudável e com qualidade.
A prevenção começa antes da doença
Durante muito tempo, a atenção à saúde cardiovascular esteve concentrada no tratamento da hipertensão, do colesterol elevado, do diabetes e das doenças cardíacas já estabelecidas.
Hoje, sabemos que precisamos começar muito antes. Alimentação equilibrada, atividade física regular, controle do peso, sono adequado, equilíbrio emocional e ausência de tabagismo são pilares fundamentais para preservar a saúde das artérias e do coração.
Esses cuidados são importantes em todas as idades, desde a infância até a vida adulta e o envelhecimento.
Como colocar a prevenção em prática?
Não precisamos transformar completamente nossa rotina de um dia para o outro. O segredo está na constância das pequenas escolhas.
Movimente-se mais: A recomendação é acumular pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada. Caminhar 30 minutos em cinco dias da semana é um excelente começo. Utilizar escadas, caminhar nos intervalos e evitar permanecer sentado por longos períodos também faz diferença.
Cuide da alimentação: Priorize frutas, verduras, legumes, feijão, cereais integrais e alimentos naturais. Reduza o consumo de sal, açúcar, gorduras saturadas e produtos ultraprocessados. Uma alimentação saudável não precisa ser complicada ou cara.
Valorize seu sono: Dormir bem, preferencialmente entre sete e nove horas por noite para a maioria dos adultos, favorece o equilíbrio do organismo. Organizar os horários de descanso e manter uma rotina regular são atitudes importantes.
Cuide das emoções: O estresse persistente interfere na saúde física e mental. Reservar momentos para a família, o lazer, a convivência e o descanso também faz parte da prevenção cardiovascular.
Conheça seus fatores de risco: Acompanhar a pressão arterial, a glicemia, o colesterol e o peso corporal permite identificar alterações precocemente. Não fumar e evitar bebidas alcoólicas são outras medidas importantes.
Uma nova forma de pensar a saúde
As diretrizes atuais reforçam a importância de avaliar o risco cardiovascular individualmente, identificar fatores que possam ser modificados e agir precocemente.
Os medicamentos continuam fundamentais quando indicados, mas devem caminhar ao lado de hábitos saudáveis e de um acompanhamento contínuo.
Prevenir é mais do que evitar um infarto ou um AVC. É preservar a autonomia, a disposição para as atividades diárias, a convivência familiar e a possibilidade de envelhecer com qualidade de vida.
Que possamos transformar a prevenção cardiovascular em um compromisso diário, começando por nós mesmos e multiplicando esse cuidado entre nossos familiares, amigos e toda a comunidade. Porque cuidar do coração é, acima de tudo, cuidar da vida.
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*Dra. Marines Bertolo Peres
Médica cardiologista
Especialista em Ecocardiografia e Medicina do Estilo de Vida
Hospital Regional São Paulo, Xanxerê/SC
Referências científicas: Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose (2025); Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial (2025); Diretriz Brasileira Baseada em Evidências para o Manejo da Obesidade e Prevenção de Doenças Cardiovasculares.

